
Hoje em dia o limite entre as artes plásticas e o design é muito sutil.
Como não existe mais esta linha que demarca cada território, a artista plástica Beth Jabur transita entre estes territórios e cria objetos extremamente atraentes em formas arredondadas.
Gaúcha de Porto Alegre, sempre se mostrou muito interessada em assuntos de arte e seu verdadeiro início nas artes plásticas foi em criança como desenhista de moda, quando, com a maior facilidade, criava roupas e trajes para as suas amigas e para as mulheres da família.
Estudou em Florianópolis e formou-se Bacharel em Filosofia, porém continuou mantendo vivo interesse na história da arte, além de acompanhar os acontecimentos artísticos da cidade.
Mais tarde, morando em Foz do Iguaçu, Beth, uma pessoa extremamente vivaz, com vontade de dar vazão à sua criatividade, começou a freqüentar diversos cursos de arte e mais especificamente, as oficinas de esculturas realizadas naquela cidade, pelo escultor Elvo Benito Damo.
De lá para cá, acabou mudando-se para Curitiba e, determinada a seguir em frente com seu trabalho em tridimensionais, passou a ser orientada por Elvo no Atelier de Escultura da Fundação Cultural de Curitiba.
Também estudou com Cynthia Lorenzo, numa época que o Atelier do Parque São Lourenço passou por uma reforma e hoje, mantém uma oficina em casa, ao mesmo tempo que executa suas obras de maiores dimensões no Atelier da FCC.
Com três anos de atividades constantes nas artes plásticas, ela mesma diz que está no início do seu trajeto como artista plástica, mas mesmo agora, a obra marcante de Beth Jabur já se destaca.
Inspirando-se em temas femininos, a artista modela os relevos e as formas de seus tridimensionais, partes objetos, parte esculturas, parte composições, em montagens arrojadas, algumas vezes apresentadas com um toque de humor.
Sua necessidade criadora a faz usar as mãos, sentir com as mãos, “como se meus olhos estivessem nas mãos”, segundo ela. Assim, uma obra cuja presença do tato é essencial para sua realização, já nos dá uma pista para o modo como a artista elabora sua arte, que parte da manipulação de objetos, resinas, cores, texturas.
Beth remodela formas, ajusta formatos, coleta objetos e os agrega na resina, explorando detalhes inusitados, muitas vezes até picantes e divertidos.
Sua obra é essencialmente feminina, não aquela obra que, por mais que a artista se esforce, não consegue disfarçar a feminilidade suavizada que incomoda e permanece como um ranço por detrás do trabalho, mas aquela feminilidade que é usada com o propósito mesmo de destaque, quase de confronto e provocação sensual ao masculino.
É a ênfase do feminino, da mulher em sua essência, dos trejeitos, do gracioso, da sensualidade. De algo que é, algumas vezes, apenas inusitado, como são as emoções existentes sob a superfície da mulher que Beth deseja captar, entrando aí todas as variantes do sentir-se feminina.
A mistura de elementos provenientes das linhas curva e em chicote da art noveau do final do século XIX com o modelado extremamente contemporâneo da forma estilizada, junto a itens ligados não só à pop art norte-americana, mas à cultura pop em geral, constituem-se as raízes de sua obra.
Beth se aproveita também de contrastes, criando mesas nas quais parte de um círculo pura forma clean e a complementa com as pernas de mulher usando sapatos de salto, numa atmosfera de clima erótico dos filmes noir americanos dos anos cinqüenta.
Por outro lado, este trabalho resulta de uma obra não-convencional , muito criativa que, inclusive dentro da arte contemporânea, se faz limítrofe ao design atual. É um trabalho que está num estágio de arte que pode ser usado como utilitário e suas fronteiras são tão indiscerníveis que, como eu disse para a própria Beth, ela faria um sucesso estrondoso em New York.
É o que eu espero!
Nilza Procopiak